Imunidade vs Liberdade: William Waack e o Espetáculo para o Politicamente Correto

23/01/2018

Concordo com o William Waack, seja lá o que ele tenha dito: não vou me submeter ao que grupos acham ou deixam de achar correto ou não, PRINCIPALMENTE quando falo no meu âmbito privado.

Algo que o jornalista William falou, de brincadeira, e quando não imaginava a possibilidade de vir a público o que naquele momento expressava --- um lapso para quem trabalha com a máquina da mídia e estava gravando um noticiário ---, foi captado pelo satélite de transmissão, e maliciosamente pinçado para, em seguida, inundar redes sociais em um contexto de linchamento.

Na minha visão, o "politicamente correto" é uma estratégia cuidadosamente planejada, de modo que muitas pessoas --- injustiçadas, sim ---, passam a se sentir vítimas o tempo todo, apenas pela hipótese de se sentirem "inferiorizadas" por algo que julgam ser (ou seja) a causa dos seus sofrimentos. Essas pessoas ficam em perpétuo alerta, ávidas pela oportunidade de se vingar em qualquer um que caiba no que promove a ideologia do "politicamente correto" --- que (apenas) parece protegê-las. 

Os enfurecidos "ofendidos" se enquadram no que Yuri Bezmenov chamava de "idiotas úteis" na causa do comunismo álien, se transformando em uma ala de seus policiais políticos, causando conflitos cada vez mais graves, linchamentos, injustiças que podem chegar às raias do abominável.

E, na era da singularidade tecnológica, onde tudo está interligado, qualquer pensamento, movimento, ato, pode ser furtado e publicado, para proporcionar o linchamento público, que é seletivo, voltado aos desafetos do regime.

De outro modo, onde estão os pedófilos infames? Os que estão envolvidos em escravidão sexual de menores, em tráfico de órgãos, de drogas? Onde estão as urdiduras secretas dos políticos, empresários e funcionários públicos corruptos, que diuturnamente perpetram seus crimes contra a economia popular e o erário público? Por que essa invasão de privacidade recai somente sobre pessoas comuns, que apenas expressam, sem cuidado, o que pensam, e têm pinçado de um contexto algo que pode parecer, no mínimo, de mau gosto?

E quem não fala "m...", principalmente entre amigos e num clima de brincadeira? Todos os ainda normais. Bem, nesse caso, quem está fora do alcance do "politicamente correto" a serviço do regime? Ninguém.

Que grande arma do comunismo álien esse "politicamente correto"! Aliado ao "discurso de ódio", encarcera, pouco a pouco, um dos atributos que pode definir um ser humano como tal: a sua "imunidade" (freedom), noção oposta à de liberdade (liberty), que é apenas uma permissão concedida por um homem àquele que legalmente lhe pertence.

Não à toa a palavra freedom carece de tradução óbvia em Português, e o sentido de "liberdade" é precariamente compreendido no nosso País. Poucos sabem, e eu percebi apenas há algum tempo, que "liberdade" é para escravos, e o curso do "politicamente correto" e do "discurso de ódio" não passa de uma consequência esperada em face de nossa ancestral carência de freedom neste lugar chamado "Brasil".

Não, o "brasileiro" jamais conheceu freedom, e sequer tem consciência do que seja. O sistema de jurídico de civil law impede a imunidade, e isso é uma discussão técnica acessível somente a poucos ainda. Um dia, abordaremos.

Em tempos de regime comunista --- na sua "expressão" no século XXI ---, já o próprio brasileiro ajuda a exterminar qualquer resquício da "imunidade" própria dos "homens livres".

Assim, as liberdades de pensamento e expressão estão sendo entusiasticamente reduzidas a pó, e o caso do William Waack provavelmente pretendeu ser exemplar. O Regime não poupa ninguém.

O conquistador é brilhante em usar nossas próprias fraquezas contra nós mesmos. Criou o "politicamente correto" para romper a barreira do privado, no que o ser humano tem de mais íntimo, que é seu pensamento, bem como a expressão descompromissada dele, mesmo que tenha sido na esfera da troça e do humor. 

Por fim, penso que vivemos no seguinte impasse: de um lado, pessoas que julgam "muito proveitoso" serem tratadas como "coitadas", e se ofendem, em virtude de seu histórico, quando as tratamos como iguais; ou reagem como bebês chorões quando encontram adversários dispostos a enfrentá-las com um jogo duro, que envolve ataques ad hominem (à pessoa). "Bebês chorões" que recorrem a um Regime assassino e frio. 

De outro lado, pessoas cuja miopia as impede enxergar que injustiças perpetradas, de qualquer natureza, principalmente contra seus pares, constituem a semente da sua própria morte, e/ou de sua linhagem. São traidores por ação ou omissão.

Em particular, afirmo que todos os que estamos em posição para tal deveríamos nos preocupar com as injustiças sociais e com sua utilização como arma do conquistador contra nossa raça.

Afinal, é de uma guerra entre raças que me parece se tratar, e a raça humana, com toda sua maravilhosa diversidade étnica, está mesmo num impasse de uma grande inflexão na sua história, que pode significar a continuidade de sua própria existência, ou não.